A saudade dói. É, e dói muito. Você não faz noção do quanto eu sofro desde que você se foi. Porque me abandonou? As coisas têm sido tão difíceis. Naquela época eu era apenas uma criança, não entendia o que estava acontecendo. Eu achava que você tinha viajado e logo ia voltar. Eu não chorei quando me disseram que você havia morrido. Insensibilidade? Não. Ingenuidade seria a palavra certa. Eu não entendia o que era perder uma pessoa. Por muito tempo eu não reparei a sua falta. Quando caiu a ficha de que você não voltaria. Lembro-me das vezes que esperei por você na porta de casa. Esperando, em vão, você subir a rua e dizer: “Vai pra dentro de casa, meu amor. É perigoso ficar aqui quando esta anoitecendo, faz frio.” E eu entrava com você de mãos dadas. Queria sumir junto com você. Onde você esta é bonito? É engraçado como eu fico imaginando nós dois no lugar onde você esta, como se eu fosse correndo com seis anos de idade te abraçar, e você me pegaria no colo como sempre fazia. Perco horas à noite lembrando a vez em que te vi na porta da escola, quando eu tinha sete anos, você estava sentado numa escadinha, sorrindo e eu fui correndo te abraçar. Depois fomos comer churros. Foi o melhor churros da minha vida, pelo simples fato de eu ter comido ele ao seu lado. Mas, mesmo depois de todo esse tempo sem você, ainda não me acostumei a ficar sem seus conselhos. Pois é, mas o mundo gira e eu vou ficar bem, só queria que soubesse: EU SEMPRE VOU TE AMAR INCONDICIONALMENTE, PAI.

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